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Caracterização do Espaço
O Pinhão é hoje freguesia do concelho de Alijó, situado na
margem direita do Rio Douro, ocupando uma área de cerca de 300
hectares, tendo como freguesias limítrofes Vale de Mendiz,
Vilarinho de Cotas, Casal de Loivos, Valença do Douro, Covas do
Douro, São Cristóvão do Douro, Gouvães do Douro e Ervedosa do
Douro. O Pinhão dista de 17 km da sede de concelho e 38 km da
sede de distrito, Vila Real.
O topónimo desta freguesia justifica-se pelo facto de aí se
encontrar a foz do Rio Pinhão, afluente do Douro. O rio Pinhão
nasce na aldeia de Raiz do Monte, na freguesia de Mina de Jales,
atravessando, depois, diversas localidades como Souto Escarão,
Pinhão Cel, Balsa, Torre de Pinhão, Parada de Pinhão, Cheires,
Vale de Mendiz, São Cristóvão, desaguando no Pinhão.
Trata-se de uma território pequeno na confluência com os rios
Douro e Pinhão no extremo sul do distrito de Vila Real, em
contacto com o de Viseu. A reduzida área advém do processo de
formação ocorrido em menos de setenta anos.
O Douro e a montanha dominam a paisagem. O rio corre largo e
profundo, consequência da barragem que lhe prende as águas a
jusante; nos dias de calmaria é como se fosse um espelho que
reflecte o azul do céu e o branco das nuvens, tudo no meio de um
silêncio entrecortado, aqui e além, pelo som de uma motocicleta
ou de um automóvel à distância… ou pelo apito do comboio.
Em muitos aspectos o Pinhão sempre se distinguiu das aldeias e
vilas em redor, até mesmo daquela que seria a sua sede de
concelho. Se o Pinhão tem uma área pequena, onde está a razão de
tão próspero crescimento? O elemento geográfico foi determinante
porque foi ele que chamou e fixou as pessoas, numa primeira fase
e que mais tarde impediu o seu escoar, no refluxo dos anos 70 do
século XX. Enquanto a sede de concelho, Alijó, perdeu
ininterruptamente população entre 1950 e 2001, cifrando-se numa
queda de 38% o Pinhão regista um acréscimo entre 1940 e 1960
resultando entre 1950 e 2001 numa quebra de menos de metade da
registada em Alijó, 16%. A explicar este fenómeno, está por
certo o forte incremente na área da administração e dos serviços
que se verificou no Pinhão. Cento nevrálgico de primeira
importância na região vitícola do Douro, essa condição permitiu
refrear os impulsos migratórios que ao longo das últimas décadas
têm assolado o interior do território nacional. Com o
desenvolvimento de novas actividades, nomeadamete de turismo e
lazer, talvez o Pinhão tenha encontrado uma resposta capaz de
fazer face à crescente desertificação do Interior em proveito do
Litoral.
O brasão é constituído por um escudo de prata, uma ponte férrea
de três arcos de vermelho, movente dos flancos e assente sobre
um ondulado de azul e prata; em chefe uma copa cosida de ouro
acompanhada de dois cachos de uva de púrpura folhados de verde.
Coroa mural de quatro torres de prata. Listel branco, com a
legenda a negro: "VILA do PINHÃO". A bandeira é esquartelada de
verde e amarelo, cores do concelho de Alijó. Cordão e borlas de
ouro e verde. Haste e lança de ouro. O selo em uso é circular,
com as peças do escudo sem a indicação de cores e metais, tudo
envolvido por dois círculos concêntricos, onde corre a legenda:
"JUNTA de FREGUESIA do PINHÃO".
![Selo - [clike para ampliar]](origens_files/image004.jpg)
Figuras 1 e 2 –
Brasão (esquerda) e selo (direita) da Vila do Pinhão

Figura 3 e 4 –
Bandeira para hastear em edifícios, com 2 metros por 3 metros
(esquerda) e estandarte para cerimónias e cortejos de metro por
metro (direita)
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Das origens ao
inicio do século XX
Ao contrário do que possa parecer, o Pinhão nasceu na margem
direita do rio homónimo num sítio que em 1134 era lugar da
freguesia de São Pedro de Celeiros de Panóias e que mais tarde
integrou o concelho de Gouvães do Douro. A construção da ponte
em cantaria em finais do século XVII, inícios do século XVIII
foi a principal responsável para o alastramento do lugar para a
margem esquerda do rio Pinhão e direita do rio Douro. O
telégrafo encerrado em 1875 é prova de que a esta data este
processo de deslocalização estaria já em avançado estado de
desenvolvimento.
Fonte: [1]

Figuras 5 e 6 –
Lugar do Pinhão e ponte de cantaria sobre o rio homónimo
(esquerda) e Ponte de cantaria na actualidade (direita)
O lugar que anos mais tarde se tornaria a próspera freguesia do
Pinhão, não era mais do que um povoado de gentes ligadas ao rio
e ao transporte de pessoas e animais entre as margens do Douro e
do Pinhão. Só com a demarcação do Marquês de Pombal daquela que
é a mais antiga região demarcada do mundo é que o Pinhão começa
a definir a sua identidade.
Antigamente chegava-se a esta povoação por uma via romana que
ligava Sabrosa à margem direita do Rio Pinhão, ou por Murça,
passando por Favaios, Vale de Mendiz, Vilarinho de Cotas e Casal
de Loivos. Descia-se, então, a encosta até à zona da praia, onde
se armazenava tudo o que se destinava ao embarque ou desembarque
nos barcos rabelos, no rio Douro. Mais tarde, essa estrada foi
apelidada de “Estrada Real”.
As margens do Douro cobriram-se de vinha que viriam a originar o
fantástico vinho do Porto, mas só a partir de 1678 é que surgiu
essa designação por iniciativa dos primeiros ingleses que
chegaram à região.
É a partir de 1875-1880 que o Pinhão se começa a desenvolver
definitivamente já na margem esquerda do rio Pinhão à volta do
lugar onde em 1880 chega o primeiro comboio procedente do Porto.
Para o desenvolvimento do Pinhão muito contribui o facto de ter
sido estação terminal de comboios durante 3 anos. Por
decreto-real a linha do Douro terminaria mesmo no Pinhão com a
extensão a Espanha decidida mais tarde.
Fonte: Arquivo Fotográfico da CP/REFER

Figura 7 –
O Pinhão no ano da chegada do comboio (1880)
Os 300 habitantes que então estavam estabelecidos rapidamente
duplicaram com o acesso às novas acessibilidades e a
privilegiada ligação ao Porto. Além do comboio surgirão diversas
diligências a mais importante procedente de Murça. Rapidamente
da linha e para norte ao longo da margem esquerda do rio Pinhão.
De todos os lados chegavam carros de bois com pipas de vinho que
seriam transportadas pelos rabelos mas também por comboio. A
construção das barragens, já em pleno século XX, iria
traduzir-se no fim do rabelo e culminar no expoente máximo do
monstro de ferro. Naturalmente as populações iam-se fixando
naquele entreposto fluvial, ferroviário e viário de
características geográficas centrais para toda a região. Os
rabelos, o vinho, a areia e a pesca eram o sustento das gentes
que depois de verem o comboio em 1880 assistiram à construção de
uma ponte metálica sobre pilares de cantaria erguida em 1906 com
207 metros de comprimento e 25 de altura sobre a corrente de
então. A localidade tornou-se rapidamente pólo incontornável
para o desenvolvimento de qualquer actividade económica num raio
de algumas dezenas de quilómetros. 1880 e 1906 determinam
historicamente o sucesso do lugar de pescadores que mais tarde
se formou vila. O Pinhão tornava-se no início do século XX num
importante entreposto de Vinhos Finos que escoava o produto até
Gaia pelos barcos rabelos.
A localização privilegiada do Pinhão e os meios de transporte
que aqui confluíam contribuíram de sobremaneira para o
desenvolvimento desta pequena urbe que rapidamente alcançou o
estatuto de Centro Económico Geográfico da Região Demarcada do
Vinho do Porto. Não é por acaso que Miguel Torga se refere ao
Pinhão nestes termos: “(...) Mas existe uma capital deste
feudalismo disperso; uma polarização urbana do tresmalho murado
de cada senhor: meia dúzia de casas banais, uma estação com
azulejos que reproduzem em mísero a grandeza do cenário, e
adegas sombrias, cavadas no chão como furnas – o Pinhão. O
cósmico e cosmopolita Pinhão!”.

Figura 8 –
O Pinhão na actualidade
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A criação da freguesia
O Pinhão foi elevado a freguesia no dia 23 de Setembro de 1933,
pelo Decreto de Lei n.º 23057, tendo sido elevado a vila a 20 de
Junho de 1991, tal como se pode comprovar no Diário da
Assembleia da República, I Série, n.º 96, do dia 21 de Junho do
mesmo ano. Até aí, o lugar do Pinhão fazia parte da freguesia de
Casal de Loivos, concelho de Alijó. Mas as transformações e
crescimento por demais evidente e largamente demarcado das
restantes freguesias e até mesmo da sede de concelho incutiu no
espírito dos locais a necessidade física de uma autonomia
administrativa. António Manuel Saraiva, Luís Paulo Ribeiro e
Américo da Silva Barros foram alguns dos responsáveis pela
concretização do sonho e lideraram a Comissão Instaladora da
Freguesia, com o primeiro a tornar-se o primeiro Presidente da
Junta de Freguesia do Pinhão.
António Manuel Saraiva nasceu no ano de 1897 no dia 15 de Abril
na freguesia de Ervedosa do Douro no concelho de São João da
Pesqueira e distrito de Viseu. As suas habilitações literárias
não o impediram de se tornar uma das figuras mais influentes na
Vila do Pinhão afirmando esta pequena localidade na região e já
mesmo no país.
A sua família era composta pelos pais, duas irmãs e ele próprio
tendo habitado o número 2 da Rua de Santo António durante a sua
infância tendo-se mudado para o Largo Dr. Duarte Lobo mais tarde
após o seu casamento.
António Manuel Saraiva ostentava uma corpulência e altura
invejáveis sendo muito elegante na postura e socialização. Conta
quem o conheceu que era amigo dos pobres, bom pai e uma
belíssima pessoa. Sempre o caracterizaram as botas desapertadas
com que ia apanhar o comboio. Gostava de ajudar os pobres e foi
comerciante de profissão.
Em prol do Pinhão criou condições e fomentou diversas
actividades e obras. Antes de 1933, criou a Igreja, construiu o
cemitério e colocou a electricidade. Em 1933 elevou o Pinhão a
freguesia e no ano seguinte colaborou na constituição da Casa o
Povo, a primeira em todo o distrito de Vila Real. Em 1936
expropriou as minas do Fontão a José Beleza de Andrade. Em 1937
pediu a criação do Instituto do Vinho do Porto e no ano seguinte
o Pinhão teve saneamento e fontanários públicos com água
potável. Estes apenas alguns os muitos e marcantes feitos
daquela que é, sem margem para qualquer dúvida, a maior figura
impulsionadora do desenvolvimento do Pinhão e o principal
responsável pela tão grande crescimento em apenas 100 anos. A
população prestou-lhe homenagem atribuindo o seu nome à
principal rua, Rua António Manuel Saraiva.
Nas comemorações dos 50 anos da freguesia foi lapidada uma
medalha em sua homenagem e procedeu-se ao processo formal de
nomeação da rua principal.
È importante frisar que a estação ferroviária do Pinhão foi
valorizada com 24 magníficos painéis de azulejos policromados,
nos quais se descreve a etnografia da região. Trata-se de um
precioso conjunto concebido em 1940, mercê da Junta de freguesia
local, em particular de António Manuel Saraiva e do Instituto do
Vinho do Porto.
Fonte [1]

Figuras 9 e 10
– Dois dos vinte e quatro magníficos azulejos policromados na
estação da REFER do Pinhão
A partir de 1942 o Pinhão dispõe também de atendimento médico a
tempo inteiro nas instalações da Casa do Povo sendo o primeiro
clínico, o Dr. Duarte da Fonseca Lobo. O reconhecimento aos
cuidados prestados por esta ilustre figura do panorama social
pinhoense culminou com a substituição da designação do Largo da
Trindade por Largo Dr. Duarte da Fonseca Lobo. Só a 28 de
Novembro de 2001 um outro médico, então também presidente da
Câmara Municipal e Alijó, Dr. Joaquim Cerca, inaugurou as
instalações definitivas da Extensão de Saúde do Pinhão do Centro
de Saúde de Alijó onde actualmente presta consultas em
complementaridade com a Dr. Isabel Freitas.
É o ano de 1942 que marca também a chegada da Guarda Nacional
Republicana que só em 1986 teve direito a instalações próprias,
vinte anos depois votadas ao abandono pela saída constante dos
efectivos ao ponto de se ter tornado obsoleto dizer que o Pinhão
dispõe de um posto da GNR.
Em 1966 o Pinhão tem o primeiro banco e em 1976 surge a
Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Pinhão.
Para a Igreja o Pinhão permaneceu tempo demais dependente de
Gouvães do Douro, apesar de civilmente já ser do concelho de
Alijó. É a 1 de Fevereiro de 1959 que o Pinhão adquire
independência canónica assumindo Nossa Senhora da Conceição como
padroeira utilizando uma capela que já existia mesmo antes do
aparecimento da freguesia.
Fonte [1]

Figuras 11
– Aspecto do Largo da Estação do Pinhão nos anos 50
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Actualidade: da
vila aos nossos dias
O próspero desenvolvimento do Pinhão levaria a que em 1991 se
atingisse outro marco importante de autonomia administrativa: a
criação da vila. As necessidades básicas, os serviços essenciais
e o clima de prosperidade económica foram os argumentos
determinantes para que a Assembleia da República proclamasse a
criação da Vila do Pinhão. A elevação à condição de vila
concretizou-se graças à iniciativa do deputado Daniel Bastos e
tornou-se realidade a 20 de Junho de 1991, coincidência ou não
tal acontece sob o mandato da Junta de Freguesia liderado pela
filha do homem que em 1933 trouxe a independência às gentes
pinhoenses.
Hoje, a maior parte da população do Pinhão vive do comércio nas
áreas de produtos alimentares, vestuário, calçado e hotelaria.
Os serviços (empresas vitivinícolas, escolas, bancos, Junta de
Freguesia e Centro de Saúde) empregam também algumas dezenas de
pessoas. A indústria e agricultura completam o quadro económico
da vila. Principalmente, as gentes desta simpática vila
dividem-se entre os sectores primário e terciário, apesar da
produção vinícola ser o grande motor da vila. No domínio do
sector primário, salienta-se a produção do Vinho que é, depois
exportado, levando o nome de Portugal aos quatro cantos do
mundo.
As empresas agrícolas, visando a obtenção de excelentes vinhos,
de aromas intensos e de cores com identidade própria, continuam
a investir em novas plantações de vinha, com castas de especial
qualidade. Desta forma, proporciona-se a fixação da população e
contribui-se para o desenvolvimento da freguesia, uma vez que se
torna necessária a existência de diversos serviços fundamentais
tais como os correios, transportes, bancos e serviços públicos
administrativos.
É o conjunto de realidades tão dispares e ao mesmo tempo
integradas que levou a UNESCO a reconhecer, a 14 de Dezembro de
2001, que se está perante um espaço único de paisagem humanizada
harmoniosamente integrada no meio físico. Todo o processo de
candidatura começou no Pinhão, a 26 de Junho de 2000, com a
assinatura do protocolo de compromissos entre 21 autarquias e 23
entidades públicas que culminaram na atribuição do título de
Alto Douro Vinhateiro como Património Mundial.
A história do Pinhão não pode surgir separada do Rio Douro, que
nasce na Serra de Urino, em Espanha e desagua em São João da
Foz, no Porto. Este curso de água tão importante para a economia
da região, tem o comprimento de 927 km, dos quais 330 em
território luso, sendo a sua bacia hidrográfica detentora de uma
área de 98370 quilómetros quadrados.
No fundo, a história do Pinhão e das suas gentes é a história da
conquista e afirmação de uma posição de destaque e liderança na
região que o envolve. A agricultura, solidamente implantada e
assente em métodos modernos e dinâmicos não foi afectada pela
integração de Portugal na Europa, antes beneficiou com esse
facto. O comércio, devidamente inserido no contexto local e
regional, assumiu ao longo do tempo cada vez mais importância,
correspondendo às expectativas da área envolvente. A industria,
domínio onde pontuam alguns grandes empreendimentos, encontra-se
precatada de acordo com as melhores técnicas de gestão e ultimas
inovações tecnológicas.

Figura 12
– Vista Geral do Pinhão num dia tão nublado quanto o futuro
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Bibliografia
[1] – LOBO, Maria Lucília da Saraiva; A Alma do Douro: Pinhão;
1ª Edição; Calcorrear, Pinhão 2004
[2] – SILVA, José Ribeiro; Os Comboios de Portugal – Do Vapor
à Electricidade – Volume I; 1ª Edição; Mensagem; Queluz 2004 |